Realismo

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Educação

José Pacheco e a Escola da Ponte

José Pacheco não é o primeiro – e nem será o último – a desejar uma escola que fuja do modelo tradicional. Ao contrário de muitos, no entanto, o educador português pode se orgulhar por ter transformado seu sonho em realidade.

A Ponte não segue um sistema baseado em seriação ou ciclos e seus professores não são responsáveis por uma disciplina ou por uma turma específicas.

A cada ano, as crianças e os jovens criam as regras de convivência que serão seguidas inclusive por educadores e familiares. É fácil prever que problemas de adaptação acontecem.

Quando jovem, esse educador de fala mansa não pensava em lecionar. Queria ser engenheiro eletrônico. Mas uma questão o inquietava: por que a escola ainda reproduzia um modelo criado há 200 anos? Na busca por uma resposta, se apaixonou pelo magistério. “Percebi que na engenharia teria menos a descobrir, enquanto na educação ainda estava tudo por fazer”.

Existem salas de aula? 
PACHECO Não há salas de aula, e sim lugares onde cada aluno procura pessoas, ferramentas e soluções, testa seus conhecimentos e convive com os outros. São os espaços educativos. Hoje, eles estão designados por área. Na humanística, por exemplo, estuda-se História e Geografia; no pavilhão das ciências fica o material sobre Matemática; e o central abriga a Educação Artística e a Tecnológica.

A arquitetura mudou para acompanhar o sistema de ensino?
PACHECO Não. Aliás, isso é um problema. Nosso sonho é um prédio com outro conceito de espaço. Temos uma maquete feita por 12 arquitetos, ex-alunos que conhecem bem a proposta da escola.

Como os estudantes vindos de outras escolas se integram a um sistema tão diferente?
PACHECO Não é fácil. Há crianças e jovens que chegam e não sabem o que é trabalhar em grupo. Não conhecem a liberdade, e sim, a permissividade. Não sabem o que é solidariedade, somente a competitividade. São ótimos, mas ainda não têm a cultura que cultivamos. Quando deparam com a possibilidade de definir as regras de convivência que serão seguidas por todos ou não decidem nada ou o fazem de forma pouco ponderada. Em tempos de crise, como agora, em que muitos estão nessa situação, precisamos ser mais diretivos.

Como sua escola é vista em Portugal?
PACHECO Há uma grande resistência em aceitar o nosso modelo, que é baseado em três grandes valores: a liberdade, a responsabilidade e a solidariedade. Algumas pessoas consideram que todos precisam ser iguais e que ninguém tem direito a pensamento e ação divergentes. Há quem rejeite a proposta por preconceito, mas isso nós compreendemos porque também temos os nossos. A diferença é que nós nunca colocamos em cheque o trabalho dos outros. Consideramos que quem nos ataca faz isso porque não foi nosso aluno e não aprendeu a respeitar o ponto de vista alheio.

http://novaescola.org.br/conteudo/335/jose-pacheco-e-a-escola-da-ponte

Paulo Freire e a pedagogia do oprimido

Paulo Freire (1921-1997) foi o mais célebre educador brasileiro, com atuação e reconhecimento internacionais. Conhecido principalmente pelo método de alfabetização de adultos que leva seu nome, ele desenvolveu um pensamento pedagógico assumidamente político. Para Freire, o objetivo maior da educação é conscientizar o aluno. Isso significa, em relação às parcelas desfavorecidas da sociedade, levá-las a entender sua situação de oprimidas e agir em favor da própria libertação. O principal livro de Freire se intitula justamente Pedagogia do Oprimido e os conceitos nele contidos baseiam boa parte do conjunto de sua obra.

Ao propor uma prática de sala de aula que pudesse desenvolver a criticidade dos alunos, Freire condenava o ensino oferecido pela ampla maioria das escolas (isto é, as “escolas burguesas”), que ele qualificou de educação bancária. Nela, segundo Freire, o professor age como quem deposita conhecimento num aluno apenas receptivo, dócil. Em outras palavras, o saber é visto como uma doação dos que se julgam seus detentores. Trata-se, para Freire, de uma escola alienante, mas não menos ideologizada do que a que ele propunha para despertar a consciência dos oprimidos. “Sua tônica fundamentalmente reside em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade”, escreveu o educador. Ele dizia que, enquanto a escola conservadora procura acomodar os alunos ao mundo existente, a educação que defendia tinha a intenção de inquietá-los.

Freire dizia que ninguém ensina nada a ninguém, mas as pessoas também não aprendem sozinhas. “Os homens se educam entre si mediados pelo mundo”, escreveu. Isso implica um princípio fundamental para Freire: o de que o aluno, alfabetizado ou não, chega à escola levando uma cultura que não é melhor nem pior do que a do professor. Em sala de aula, os dois lados aprenderão juntos, um com o outro – e para isso é necessário que as relações sejam afetivas e democráticas, garantindo a todos a possibilidade de se expressar. “Uma das grandes inovações da pedagogia freireana é considerar que o sujeito da criação cultural não é individual, mas coletivo”.

O método Paulo Freire não visa apenas tornar mais rápido e acessível o aprendizado, mas pretende habilitar o aluno a “ler o mundo”, na expressão famosa do educador. “Trata-se de aprender a ler a realidade (conhecê-la) para em seguida poder reescrever essa realidade (transformá-la)”, dizia Freire. A alfabetização é, para o educador, um modo de os desfavorecidos romperem o que chamou de “cultura do silêncio” e transformar a realidade, “como sujeitos da própria história”.

O primeiro é aquele em que o educador se inteira daquilo que o aluno conhece, não apenas para poder avançar no ensino de conteúdos mas principalmente para trazer a cultura do educando para dentro da sala de aula. O segundo momento é o de exploração das questões relativas aos temas em discussão – o que permite que o aluno construa o caminho do senso comum para uma visão crítica da realidade. Finalmente, volta-se do abstrato para o concreto, na chamada etapa de problematização: o conteúdo em questão apresenta-se “dissecado”, o que deve sugerir ações para superar impasses.

Em 1963, em Angicos (RN), chefiou um programa que alfabetizou 300 pessoas em um mês. No ano seguinte, o golpe militar o surpreendeu em Brasília, onde coordenava o Plano Nacional de Alfabetização do presidente João Goulart. Freire passou 70 dias na prisão antes de se exilar. Em 1968, no Chile, escreveu seu livro mais conhecido, Pedagogia do Oprimido. Também deu aulas nos Estados Unidos e na Suíça e organizou planos de alfabetização em países africanos. Com a anistia, em 1979, voltou ao Brasil, integrando-se à vida universitária. Filiou-se ao Partido dos Trabalhadores e, entre 1989 e 1991, foi secretário municipal de Educação de São Paulo.

http://novaescola.org.br/conteudo/460/mentor-educacao-consciencia

 

 

Gabarito APP 4.Bim. 9HI

“… esse Ensaio sobre a cegueira pode ser lido inversamente como um ensaio sobre a visão. Esses cegos chegaram ao fundo do poço de onde puderam ver surgir suas fraquezas, sua arrogância, sua intolerância, sua impaciência, sua violência, a monstruosidade dos universos concentracionários. Mas assistiram também à sua própria força, à sua solidariedade, à sua generosidade, ao seu espírito revolucionário e à revisão de seus próprios preconceitos. Este, repito, é um ensaio sobre a visão: do outro, das relações humanas, das linguagens e seus clichês, da verdade, do poder e até dos gêneros literários nesse romance que, como se sabe, se quer ensaio. Porque este não é tão-somente um romance cujo assunto é a cegueira, mas também um ensaio entendido como experiência, experimentação que revele a possibilidade de enxergar para além das aparências, para além dos seus próprios limites convencionais.” (SILVA, 1999:  294)

  1. A cegueira tema da obra pode ser caracterizada como patológica ou simbólica? Justifique sua resposta.

R: Simbólica, funciona como metáfora para uma crítica social.

2. Quais, possivelmente, seriam as causas da cegueira social?

R: Individualismo e egoísmo.

3. Retome o texto de introdução e, sabendo da causa da cegueira, destaque do trecho qual seria, portanto a “cura”?

R: (…)Mas assistiram também à sua própria força, à sua solidariedade, à sua generosidade, ao seu espírito revolucionário(…).

Foucault descreveu vários processos de disciplinarização dos corpos em diferentes instituições, como colégios, fábricas, oficinas, conventos e quartéis, demonstrando que a principal característica de tais instituições é a disciplina corporal. Dentre todas as instituições disciplinares, a escola possui a maior abrangência, pois é nela que os indivíduos passam a maior parte da sua formação, até que estejam prontos para a vida adulta.

4. Sobre o trecho acima, qual instituição disciplinar é a mais notoriamente eficaz e por quê?

R: Escola, pois é nela que passamos a maior parte de nossas vidas, ingressando ainda em uma fase de formação crítica e sendo que a mesma atua não só sobre o corpo mas também, e principalmente, sobre os saberes.

Um grupo de cegos denominados pelo narrador como “cegos malvados” percebeu que se usasse da violência poderia extorquir os poucos objetos de importância financeira que porventura ainda estivessem em poder dos demais cegos, sequestrando a comida que era depositada no pátio pelos soldados. Na busca do lucro, mesmo que ilusório, os cegos malvados decidem exigir um pagamento pela entrega da comida.

5. Tal medida descrita pode parecer absurda. O problema é que sendo este ensaio um reflexo do próprio tecido social, o que é notoriamente criticada como absurda é nossa própria prática econômica. Denuncie onde este absurdo verificado na ficção ocorre na prática em sociedade.

R: Em diversos segmentos de economia capitalista, sobretudo nos que se referem à direitos civis ou sociais, ou ainda nos que agem sobre necessidades básicas.

 

 

Amor Platônico

Ao lado de Fedro, muito provavelmente O Banquete é uma das obras mais importantes da filosofia clássica grega e que exerce forte influência no Ocidente até os dias atuais. Escrito por Platão por volta de 380 a.C., a narrativa faz referência ao filósofo Sócrates, que participou de um “banquete” na casa de Agatão (poeta ateniense) cujo tema principal na roda de conversa girou em torno do conceito de “Amor”.

Aristófanes é o próximo a discursar. Ele fala dos três gêneros que inicialmente povoaram a Terra: o masculino, o feminino e o andrógino (lembremos que tanto na Grécia Clássica quanto na Helenística, o que hoje se define como Homoafetividade era tido como algo corriqueiro, nada extraordinário). Para ele, esses seres eram dotados de inúmeras qualidades (ausentes nos seres humanos atuais) e devido a arrogância desses “superseres”, os deuses tiveram que dividi-los (afinal, se os destruíssem, quem iria louvar/lembrar dos deuses?, lembrou Aristófanes); assim, o Amor estaria atrelado à busca constante de cada um desses novos seres (humanos divididos) por sua “metade perdida”. Ou seja, quem foi resultante do gênero masculino iria procurar outro, também masculino; o mesmo ocorria com os de origem feminina. Quem era do gênero dos andróginos, no entanto, iria procurar o seu gênero oposto (heterormatividade).

Por último, a palavra chega à Sócrates, considerado o mais importante dos convidados. De acordo com o filósofo, “sendo o Amor, amor de algo, esse algo é por ele certamente desejado”. Sócrates alerta para o fato de que este amor só pode ser desejado quando lhe é ausente, e não quando já se tem, “pois ninguém deseja aquilo de que não precisa mais”. Ou seja, o conceito de Amor está atrelado somente àquilo que não se tem. Uma vez conquistado, já não representa mais o objeto de desejo.

 

http://ulbra-to.br/encena/2013/07/20/Amor-Platonico-em-O-Banquete-uma-analise-da-definicao-ampla-do-Amor